sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Liquefazendo-me

A água é que me invadia, entrava pelos meus olhos,  pelos poros,  me fazia líquida. Lavava a minha  casa, inundava  a minha vida. As paredes, aos poucos, se cobriam de mofo e tudo ia se deteriorando, saturado de umidade. O pensamento se diluia lentamente, pondo a alma confusa,  num emaranhado de musgos. Os fungos  se reproduziam em tudo, alimentados pelos minúsculos fragmentos decompostos pelo tempo.  E eu já era quase um líquen, um vegetal sobrevivendo, apenas. Nessa forma, conseguia viver nos lugares mais inóspitos, me agarrando em rochas e até em cascas de árvores. A decadência tomava conta do mundo, à minha volta. Era o desfazer-se total.  O bolor se instalando. A ruína iminente.


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