segunda-feira, 19 de abril de 2010

Pequeno conto de amor


 Ele descia a rua - uma ladeira - tropeçando nas pedrinhas da calçada, cambaleando. Vinha pensando nela, a mulher que lhe enlouquecia, entorpecia a alma. Ele bebia por ela. Se embriagava dela. Como ele odiava essa mulher! Quantas vezes a matara, estrangulara em pensamento. Mas ela não morria. Principalmente os olhos. Eles o perseguiam por toda parte. Ficavam abertos, imensos, boiando  no espaço, olhando docemente  para ele. Que olhar doce e infernal tinha ela!  E não morriam, os olhos, não morriam. Essa mulher não morria. Como ele odiava essa mulher! E quando ela o beijava, que horror. Que beijo intenso e maldito, que boca herege, sem deus. Deve  ser  grande pecado odiar com tanta força. Que ser desprezível ele se  sentia por não poder do próprio ódio se livrar. Ele pensava e se arrastava, trôpego. E só uma certeza o atormentava - ele iria odiá-la para sempre!

12 comentários:

  1. Mis saludos desde Santiago de Chile,

    un abrazo

    Leo Lobos

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  2. Perdi um grande amigo, que amava assim uma ex. Morreu de tanto beber cachaça, coitado. Não era amor, aquilo. Obssessão. Deus o tenha.
    Belo cpnto, amiga.

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  3. Saludos, Leo!

    E Eurico, os excessos nos matam...até no amor!
    Eu só escrevo sobre o que excede, o que ultrapassa o permitido e o normal...rs
    Os desatinos da alma e do coração...rs
    Abraço fra/terno.

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  4. Jac, que lugar aconchegante, voc6e tem o dom da escrita, adorei chegar neste seu recanto literário, resta-me ser uma seguidora, meus cumprimentos,
    Efigênia Coutinho
    in New York

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  5. Efigênia, obrigada!
    Você não imagina o quanto gosto
    de receber novas visitas!
    A sua foi muito especial...de tão longe
    e trazendo tanto carinho!

    Grande abraço!

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  6. Olha, Jac, outra vsitinha de longe: das veredas do Amapá, na Amazônia, o lugar que andam dizendo ser apenas uma abstração. Eu nem ligo... sonho tanto o meu lugar que às vezes não sei se ele existe mesmo.
    Que lindo conto esse de um "ódio" tão grande...
    Um beijo!

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  7. Lulih, eu li sobre isso e achei um absurdo.
    Se a sua terra é uma abstração, nosso
    planeta todo é uma abstração.
    Vamos, então, considerar que tudo é irreal,
    tudo não passa de imaginação...
    E viva os que reescrevem os passos dessa
    trajetória sem lógica, meio trágica, mas
    sempre fantástica!

    Obrigada, Lulih, pela visita
    sempre tão significativa!
    E sobre o meu pequeno conto...
    Eu gosto de ser assim, algumas vezes..."pra mim é tudo ou nunca mais"!
    Muito carinho pra você e suas veredas
    de sonho!

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  8. Oi, Jac., texto bom para se comentar... Acho que de amores assim só nos resta fugir: o saudável é um amor tranquilo, um amor com vontade de querer sempre estar junto; um amor que necessite de bebidas gera ódio e um imenso vazio. O melhor é partir pra outra. Isso é doença, a dependencia pelo fraco.

    Um grande beijo
    Tais Luso

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  9. Querida Tais, esse foi um amor que contei.
    Escrevo, às vezes, sobre os excessos!
    E esse é real. Trata-se de uma personalidade compulsiva, que não respeita limites.
    Às vezes, eu o descrevo por aqui, pois me desperta alguma aflição e pena.

    Obrigada pela visita!
    Um beijo.

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  10. Oi, Jac, entendi o texto, mas aproveitei e generalizei, justamente para fazer um comentário que abrangesse uma pessoa assim; que levasse o fato a todos os parecidos.

    beijão, é ótimo vir aqui.

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  11. Tais, vou acrescentar aos seus comentários,
    a frase daquela canção de Cazuza...
    Eu quero a sorte de um amor tranquilo/
    Com sabor de fruta mordida..
    Bjo

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